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A História do Vibrador

Vibradores eram utilizados como remédio contra a "histeria" no Século 19

O vibrador foi inventado no Século 19 para ajudar no tratamento de sintomas atribuídos a uma doença conhecida como “histeria”. Numa época onde o desejo sexual feminino era visto como doença pela sociedade machista, o vibrador surgiu como sua cura. Porém, demorou muito até que o orgasmo feminino fosse aceito, a psiquiatria abolisse conceitos antigos e o acessório ocupasse um espaço na gaveta de mulheres completamente saudáveis.

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Curiosidades sobre os vibradores

O vibrador feminino elétrico deu seus primeiros passos em 1869 com a invenção, por parte de um médico americano, de um massageador movido a vapor que tinha a finalidade de tratar de "distúrbio" feminino. Após vinte anos, um médico inglês inventou um modelo de vibrador mais portátil movido a bateria e em 1900, havia vários tipos de vibradores disponíveis para os profissionais médicos mais "exigentes".

Com o passar do tempo esses vibradores femininos foram conquistando um prestígio cada vez maior, pois anúncios em revistas de diversos gêneros, prometendo "saúde, vigor e beleza", elevaram o vibrador feminino à qualidade de auxílio à saúde e ao bem-estar. Com o advento do cinema e dos filmes pornôs (1920) os vibradores começaram a aparecer em filmes adultos, tornando-se difícil ignorar sua função sexual. Isso fez com que começassem a sumir gradualmente dos anúncios de publicações "respeitáveis".

 

Cuidados:

A penetração com o vibrador exige o mesmo cuidado que a penetração feita com o pênis.

A introdução não pode ser feita de forma brusca ou quando a vagina está seca, pois isso pode causar algum tipo de fissura ou machucar a entrada da vagina. Existem em diferentes tamanhos, formatos e propósitos: abelhinhas, borboletas, pênis, etc.

A História do Vibrador - Continuação...

A histeria
Na primeira metade do Século 19, mulheres que apresentavam sintomas como irritabilidade, insônia, ansiedade, dores de cabeça, choro e falta de apetite, entre outros, eram diagnosticadas com “histeria”, uma doença psíquica classificada como exclusivamente feminina, supostamente causada por perturbações uterinas. “Na medicina hipocrática, ao contrário do Egito antigo, um ativo desejo feminino por sexo e seus sintomas - inclusive excitação, fantasias eróticas, lubrificação vaginal e comportamento em geral melancólico ou irracional - eram conhecidos como uma doença chamada histeria - literalmente, doença causada por um deslocamento do útero”, esclarece o jornalista Jonathan Margolis no livro O: The Intimate History of the Orgasm ("A história íntima do orgasmo", lançado no Brasil pela Ediouro).

“O alívio para essa suposta doença, não surpreendentemente, era obtido através do orgasmo”
Rachel P. Maines cientista e escritora

 

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Como tratamento no intuito de amenizar a histeria, recomendava-se a massagem no clitóris, feita diretamente pelo médico em seu consultório, estimulando com as mãos a paciente até que ela atingisse o “paroxismo histérico”, conhecido hoje como orgasmo. Após uma consulta repleta de gemidos e gritos, a mulher ficava mais calma e, consequentemente, os sintomas desapareciam – ao menos temporariamente.

“Essa suposta doença exibia uma sintomatologia compatível com o funcionamento normal da sexualidade feminina, e para a qual o alívio, não surpreendentemente, era obtido através do orgasmo, seja através de relações sexuais com o marido ou por meio da massagem na mesa do médico”, explica Rachel P. Maines, cientista visitante na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade de Cornell e autora do livro The Technology of Orgasm: “Hysteria”, Vibrators and Women’s Sexual Satisfaction (“A tecnologia do orgasmo: histeria, vibradores e a satisfação sexual das mulheres”, em tradução livre).

Em 1653, este tratamento já tinha sido indicado por outro médico, o holandês Peter Van Foreest, ao publicar um compêndio médico com um capítulo dedicado às doenças femininas. Para tratar a histeria, ele indicava o auxílio de uma parteira para massagear o genital feminino, com um dedo dentro da vagina, utilizando óleo de lírios como lubrificante.

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Nos consultórios
Solteiras, casadas ou viúvas, as mulheres lotaram os consultórios médicos procurando a “cura” da histeria, fazendo com que os médicos ficassem horas e horas masturbando as suas pacientes, preocupados com a saúde delas. Rose Vilella, psicóloga com formação em sexualidade humana e mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que, além da falta de conhecimento, o orgasmo feminino não era reconhecido face ao machismo de não enxergar a mulher como alguém capaz de expressar seus desejos e satisfações sexuais. “A sexualidade feminina sempre sofreu com a repressão, nesta época principalmente, em que o órgão sexual na mulher era puramente para procriação”, ressalta.

Porém, muitas pacientes demoravam horas para atingirem o tal “paroxismo histérico”, e a massagem clitoriana tornou-se uma tarefa maçante, fazendo com que os médicos desenvolvessem problemas nas mãos devido ao esforço repetitivo, e novas alternativas tiveram de ser testadas. A primeira delas foi substituir a massagem por um jato de água diretamente no clitóris: como o método não rendeu bons resultados, um acessório diferente e fora do comum foi inventado...

O vibrador retornou nos anos 1960, junto com o conceito de orgasmo visto como prazer
Rachel Maines

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O vibrador
No intuito de agilizar as sessões nos consultórios, o médico americano George Taylor patenteou, em 1869, o primeiro vibrador, a vapor, e o batizou de "The manipulator". Apesar de ser um aparelho grande e de aparência assustadora, o aparato levava as mulheres ao orgasmo mais rapidamente, o que permitiu aos médicos descansar as mãos e, ao mesmo tempo, atender mais pacientes.

Mas, o vapor não durou muito e, em 1880, o médico inglês Joseph Mortimer Granville inventou o vibrador movido à manivela. Aperfeiçoada, a ideia se materializou em 1902 no primeiro vibrador elétrico, lançado pela empresa americana Hamilton Beach.

Os vibradores deixaram de ser usados apenas nos consultórios médicos, e as mulheres passaram a tratar a “histeria” em casa

Nessa época, os vibradores saíram dos consultórios médicos e passaram a fazer parte dos ornamentos domiciliares, pois as mulheres passaram a tratar a “histeria” em casa. Mesmo assim, o conceito de que aqueles sintomas caracterizassem uma doença só foi abolido pela Associação Americana de Psiquiatria em 1952.

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Propaganda
Nas primeiras duas décadas do Século 20, os vibradores eram anunciados livremente em catálogos e revistas femininas, com variedade de modelos, em todas as faixas de preço e com vários tipos de energia. “O aparelho foi comercializado principalmente para as mulheres para ajudar na saúde e a relaxar, em frases ambíguas, como ‘Todos os prazeres da juventude... vão pulsar dentro de você’", relata Rachel.?

No entanto, a indústria de filmes pornográficos subverteu essa ideia. Atores começaram a usar o acessório a fim de promover o prazer de suas parceiras nos filmes e, assim, a imagem do vibrador, antes essencial para a saúde feminina, passou a ter uma conotação negativa na sociedade e logo evaporou das revistas, lojas e consultórios médicos. “Então ele deixou de ser usado e comercializado com finalidade terapêutica. Começou-se a associar a utilização do vibrador com mulheres vulgares”, justifica Rose.

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O verdadeiro atributo
Apesar do esforço publicitário e de tentativas fracassadas dos fabricantes em dar uma nova roupagem e utilidade aos vibradores, eles desapareceram dos impressos respeitáveis e ficaram “escondidos” até a década de 1960, quando retornou para ficar. “O vibrador retornou nos anos 60, junto com o conceito de orgasmo visto como prazer, com a revolução sexual feminina da descoberta da pílula anticoncepcional, que mostrava que o sexo não era mais visto única e exclusivamente como função reprodutora”, esclarece Rose.

E assim o vibrador se tornou um acessório, brinquedo sexual, ao invés de ser vendido apenas como um instrumento médico “curador” da histeria feminina. Inclusive, pontua Rachel, “sua eficácia na produção de orgasmo em mulheres tornou-se um argumento de venda no mercado consumidor”. Homens e mulheres, principalmente, agradecem!

E Para finalizar

Você ainda poderia comprar um vibrador disfarçado de aspirador de pó, dar de presente para sua mãe, ou avó, esposa, enfim para qualquer mulher, na maior naturalidade.

Disfarçado de aspirador de pó Disfarçado de aspirador de pó - o vibrador  
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